segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Colorir

"Sem razão de estar, ela, a felicidade, veio me visitar"

Se for de interesse, coloque uma trilha sonora nesse texto:

Momentos cinzentos e sem cor, já vi demais. Eles vem e vão, sempre querem nos assombrar com sua gracinha inerente, com aquela vontade melancolica de bucolizar nosso surrealismo. Quer transformar nosso Vinicius de Moraes em Edgar Allan Poe, quer metamorfizar nossa comédia em tragédia. Aquela pequena brisa, que traz uma nevasca pra roubar nossos lápis de cor.

Esse ventinho estava, porque sim, me incomodando muito. A falta de emoções me fazia buscar loucuras, que eram grandes o suficiente pra ainda caber no meu bom-senso. A doença da raiva, tristeza e vazio traz um estupor que quase nos faz viver em terceira pessoa. Buscava senão, uma pequena dose de sentir.

Ah, mal sabia eu. Prescrito estava, amor em pequenas doses. Em uma semana da translação, que sempre fora tão importante pra mim (mas que a graça se esvaiu nos ultimos dois) fui alimentado quase que de maneira forçada por essa receita magica. É engraçado como sem perceber a gente quase implora por mais um pouquinho.

Seria quiçá ela(s) que ilumina(m) meu pensamento durante as noites negativas? Ou talvez ele(s) que traz(em) tanta alegria em mostrar o quanto aguardam meu retorno? Humanos de valor, que sem perceber mandam por seu mensageiro mágico, o presente, o remédio pra alma, homeopaticamente. Ou seria mesmo talvez a natureza, nos presenteando cada dia com mais uma das suas pinturas? Ainda existem aqueles ousados que teimam que ela "imita a arte".

Mas o que faz dele tão viciante, essa caixinha de giz que renasce dentro de nós? Talvez porque cada um desses nos alimente com uma pequena dose, que é tão efêmera quanto poderosa. Não percebemos muitas vezes como uma dose nos alimenta por dias a fio, e o vício nos faz pedir mais. Mas nunca sem esquecer daqueles que trazem com eles de volta nossos lápis de cor.

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