terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Sufocar

 Hoje ele acordou. Sim, essa frase está completa. O que ele sentiu contudo, não foi como nos outros dias. Talvez hajam aqueles que poderiam sugerir que ele sofra de variar em polos, mas sob minha compreensão, está um pouco além. Ele sofre de mais que isso. As mãos da solidão já lhe apertam há muito a garganta. Ele, soldado feroz que é, tem lutado com muita força para não se deixar entregar.

Hoje ela ultrapassou. O sufocar extrapolou o ponto de vista metafórico. Sua garganta amanheceu mais fechada, e mesmo respirar já não lhe era mais simples como no dia anterior. Hoje, nem o prazer do livre fluxo do ar gelado para seus pulmões era possivel. Vestido com todas as armaduras que lhe eram disponiveis, saiu parar encarar mais uma curta jornada do sol.

Hoje nada servia. Serviu-se de água, e encontrou nela o prazer de goles macios de acalento. Tão límpida, mesmo que não tão fresca como gostaria, traça em sua pureza e simplicidade, alimento para a alma. Passou as horas se alimentando de água, e alimentando sua mente e seu coração. Infelizmente para ele, hoje só haviam semeadores de vis arbustos espinhosos, que tentaram implantar ódio em seu coração, e desconstruir toda a obra de bem que ele tentava e lutava com toda sua força

Hoje doeu. As feridas de armas físicas talvez não lhe causassem tanta dor. Talvez a dor física fosse simplesmente fácil de suportar, mas as feridas dele não eram visíveis. O soldado voltou-se mais uma vez a sua caverna, no alto de um pico esquecido, e ao encontrar novamente a sua solidão, ele se sentou em seu humilde trono vagabundo, e agonizou.

Hoje ele queria. Queria sorrir, chorar, falar, cantar, ser. De alguma forma, a força invisível e misteriosa que parece reger o mundo não quis que ele obtivesse as glórias. Os louros pareciam hoje simplesmente fugir dele, e cada hora que passava trazia consigo uma mensagem de agonia. Os umbrais agora faziam suas pálpebras clamarem pelo alento do sono, mesmo que temporário.

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